[Resenha] Histórias Curtas – Rubem Fonseca

Resenha 2

Alô, alô, meus lindos! Como vão?

Então, eu estou bem. Muito ansiosa por motivos de: BIENAL DO LIVRO IS COMING! Estou contando os dias e tenho certeza que vai ser uma experiência incrível. Vai ser minha primeira vez no Rio e minha primeira vez em uma Bienal, logo as expectativas estão bem altas por aqui!

No mais, confesso que estaria melhor se não fosse a greve na minha Universidade. A situação está bem complicada no nosso país, não é mesmo? Só podemos torcer pelo melhor, infelizmente. Mas fui ensinada a ver o lado bom das coisas e greve me dá mais tempo pra ler e pra fazer resenhas pra vocês!

E a resenha que trago hoje é a de um livro incrível, que me prendeu com força nos últimos dias e que me fez repensar um monte de coisas, principalmente os conceitos de loucura. Estou falando do maravilhoso Histórias Curtas, do escritor mineiro Rubem Fonseca.

612g8vLrH5L

Rubem Fonseca, nascido em 1925 na cidade de Juiz de Fora, é autor de 29 livros, dentre os quais podemos destacar romances, novelas, contos e crônicas. É vencedor de vários prêmios, dentre eles o Jabuti, Camões e o Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.

Eu não havia tido muito contato com Rubem Fonseca antes de Histórias Curtas. Tudo o que havia lido eram algumas crônicas e, muito envergonhadamente, devo confessar que vivo o confundindo com o Rubem Braga e o Rubem Alves, ambos também escritores. Já li muitas coisas de Rubem, mas sinceramente não sei qual dos três e peço desculpa a eles (e a vocês) por isso.

Pois bem, voltando ao Histórias Curtas. Se eu pudesse definir esse livro em apenas uma palavra, eu usaria insanidade. Várias das crônicas terminam com seu protagonista sendo internado ou nos dizendo que está num manicômio. E todos as crônicas mostram algo de meio maluco, mesmo que isso não esteja assumido no texto e apenas percebido por quem está lendo. Pode ser uma paranoia, como no caso do homem estrábico da crônica Devaneio, ou do hábito estranho do “adúltero” de Atração.

Um dos meus textos preferidos nesse livro é o intitulado A Noviça, sobre uma história de amor que acontece por puro acaso, graças a uma promessa que é mantida. No final do conto, o narrado diz que pararia por ali, com medo de parecer piegas. E eu paro por aqui, antes que dê algum spoiler.

Temos também em Histórias Curtas a loucura dos assassinos em potencial e, até mesmo, de serial killers, que nos explicam a sua vocação – ou a descobrem – no decorrer da crônica, como em O Roedor de Ossos. Conhecemos alguns ladrões, inclusive um que diz ser púdico, qualidade de todo bandido, que em assuntos de sexo são todos muito tímidos.

Gostei muito da edição do livro, publicado pela Editora Nova Fronteira. A capa é linda, assim como o seu interior. O espaçamento, fonte e textura das páginas tornam a experiência da leitura ainda mais gostosa. Parabéns, Nova Fronteira!

Para quem gosta de histórias mais curtas, com jeito de crônica e narrativa leve, recomendo fortemente esse livro. Ele foge das características de outras crônicas que nos habituamos a ler e isso representa uma grata surpresa. Não é um retrato de algo que aconteceu na vida de alguém, e sim retratos da vida de vários personagens. Loucos, em sua grande maioria. Esse livro vai te fazer refletir e vai arrancar também muitas risadas!

Leiam Rubem Fonseca (e os outros Rubens também)! É uma ótima forma de prestigiar e de conhecer a Literatura Nacional.

Espero que tenham gostado dessa resenha! Até a próxima!

Bia

Anúncios

[Resenha] Viver não dói – Leila Ferreira

viver

Olá! Como vão?

Se tem uma coisa que amo nos livros de crônicas é a oportunidade de conhecer um autor. Seu dia a dia, seus pensamentos, sua forma de ver o mundo. E após ler Viver não dói, preciso dizer uma coisa: Leila Ferreira é fenomenal! O que dizer sobre uma mulher que me surpreendeu a cada texto e a cada página virada?

Descobri que havia uma coisa chamada literatura que conseguia ser mais interessante do que a vida.

– Página 27.

Viver não dói foi um livro que recebi da Editora Globo para resenha há algum tempo (muito tempo, devo admitir), e como sempre acontece com os livros de parceria, alguma coisa aconteceu para que eu não o lesse tão rápido como desejava (comecei em setembro, terminei em abril). Dessa vez a culpa foi da ressaca literária. Como fazer quando você não quer ver nenhum livro na sua frente, mas precisa loucamente ler algum? Custei resolver o problema, mas quando resolvi, dá-lhe ler os livros de parceria. E viver não dói foi um dos primeiros que quis terminar a leitura.

Podemos viver momentos ótimos mesmo não estando acompanhadas e não há sentido em esperar um fato mágico nos fazer felizes.

– Página 21.

É essencialmente um livro de uma mulher madura. Daquela pessoa que já viveu muito, aprendeu outros tantos e agora começa a “enfrentar a idade”. Não, eu não acho que ela esteja “velha”, na verdade quando descobri sua idade pensei que tinha uns 10 anos a menos, mas a forma como ela trata o assunto no livro fica claro que ela, mais do que ninguém, sente que está envelhecendo.

Uma jornalista que viajou o mundo, ousou e pensou diferente várias vezes, que conheceu pessoas diversas, já se enclausurou e libertou. Digo de boca cheia que foi um prazer ler esse livro e entrar na cabeça dela um pouquinho que seja. E foi inevitável me identificar com essa mulher, impossível não pensar “quero ser como ela quando crescer”. Porque sim, eu quero!

O livro é dividido meio que da mesma maneira que dividimos a vida, alguns “tópicos” são banais, alguns reflexivos, mas outros chegam a ser cômicos.

As reflexões dela do “mundo moderno” são tão parecidas com o que penso que fiquei até emocionada e tive várias idéias. O quanto estamos nos perdendo para o celular, para a falta de educação, a vida saudável que nos tira os prazeres… Tudo que pode ser resumido em uma frase: “Que saudades de antigamente.”.

As crônicas de “No meio do caminho tinha uma serra” foram especialmente para o meu lado escritora. Nas férias viajei para a Bahia e passei por Minas, me apaixonando profundamente pelas serras e pela calma, quando Leila contou da sua temporada lá, foi inevitável sentir uma nostalgia de uma vida nunca vivida, uma vontade enorme de ir para o mesmo lugar e viver a mesma calma.

Nos relacionamentos ela nos ensina o essencial: “Aprenda a valorizar quem está ao seu lado.”. Cada frase sua sobre relacionamentos me fez pensar sobre várias pessoas que conheço e como a relação delas como um casal está uma ruína for faltar exatamente isso. O valorizar que carrega não o medo de perder, mas o amor, o carinho, o companheirismo e principalmente o respeito.

Aprendi sobre morte, relacionamentos, amor, amizades, o mundo novo, sobre família e dor. Leila me fez aprender sobre a vida. Ela nos faz ver os pequenos gestos que perdemos pelo caminho. Gestos que fazem toda a diferença, mas não vemos mais.

Nunca marque tantas frases legais como marquei nesse livro. Nunca aprendi tanto sobre o mundo e sobre mim mesma como aprendi com Amor não dói.

Fecho, junto com você, este livro com a certeza de que, neste mundo repleto, viver é às vezes o mais doloroso dos exercícios. Mas é também a possibilidade de nos depararmos diariamente com o que nos apaixona, nos move, nos arrebata, nos causa espanto, nos faz rir.

– Página 266.

É aquele livro que lhe ensina a ser razoável, a repensar suas atitudes e da sociedade. Aquele que se pode recomendar a todos e saber que acrescentará algo bom e novo na vida daquela pessoa. Uma leitura leve e dinâmica, reflexiva, mas fluída. O tipo de livro que eu poderia falar e falar, tendo a certeza que não falei nem a metade.

Viver não dói é a reflexão da vida de uma mulher extraordinária, mas, sobretudo uma reflexão da humanidade.

Já leram o livro? Conhece a autora? O que acharam?

Beijos!

Laury.