[Resenha] Baseado em Fatos Reais – Fernando Moreira

Resenha 2

Olá, pessoas lindas! Como vão?

Devo compartilhar com vocês que estou bastante aliviada e feliz. E assustada. Os dias de grérias (férias da faculdade seguidas por dois meses de greve na minha Universidade) acabaram e tudo voltou ao normal. Ou quase isso. Mas é bom estar de volta, ao mesmo tempo que já estou morrendo de saudade do ócio (mais ou menos) produtivo que tive nos últimos três meses.

Como sabem, eu sou aluna de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás. Não me arrependendo de ter escolhido essa carreira e me sinto bastante sortuda por ter como meu trabalho a oportunidade de conhecer de tudo um pouco no mundo. E o que tenho pra falar hoje tem a ver tudo com isso: Jornalismo e um pouquinho de tudo.

Orgulhosamente apresento a vocês o livro Baseado em Fatos Reais, de Fernando Moreira.

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Baseado em Fatos Reais, do jornalista e curioso brasileiro Fernando Moreira, traz em suas 14 histórias uma mistura de acontecimentos jornalísticos, fatos reais, boa literatura, diversidade cultural e, me atrevo dizer, comédia. O inusitado é o principal ingrediente desse livro. Podemos até chamá-lo de sua força motriz.

Em 2006, Fernando Moreira criou o blog Page Not Found com a finalidade de noticiar fatos considerados irrelevantes para a grande imprensa. Esses fatos não tem, essencialmente, grande importância para o público. Mas são fatos curiosos, o que facilmente pode prender a atenção e até arrancar risadas dos leitores.

Mas o livro não é uma espécie de coletânea das publicações mais comentadas ou mais estranhas do blog. As 14 histórias do livro são inspiradas nos fatos noticiados pelo blog, criando esquetes divertidos e com críticas (explícitas ou não) a sociedade. Fernando Moreira, assim como muito claro no título, se baseia em fatos reais para escrever literatura.

Um questionamento que tive ao ler o livro foi se ele, de alguma forma, poderia ser considerado um produto de Jornalismo Literário, que é o “empréstimo” de características da literatura para a construção de um relato jornalístico de um fato 100% verídico. Acredito que Baseado em Fatos Reais seja algo como a inversão dos fatores dessa conta: foi o resultado do empréstimo do fato real e da linguagem jornalística para a criação de uma obra literária (gente, isso dá um TCC!).

Fiquei bastante impressionada com a atualidade e com o quão próximas me pareciam algumas das histórias. Por ter sido inspirado em acontecimentos verdadeiros, a verossimilhança é algo muito forte no livro. Inevitavelmente você se pega pensando naquele fulano que você conhece que pensa igual ao beltrano do livro.

Das 14 histórias, quatro me chamaram muito a atenção e se tornaram as minhas preferidas. Em uma delas, uma vereadora tenta garantir aos seus cidadãos o direito ao orgasmo, alegando ser esse um direito primordial do ser humano, além de fator de vital importância para a manutenção da ordem e do progresso da sociedade.

Já em outra, que é a maior do livro, diga-se de passagem, temos uma cidade inteira convencida de que o Apocalipse estava próximo e que começara ali, naquele pequeno município do interior. O que me chamou a atenção nessa história (e provavelmente na que a baseou) foi o quão barulhento algo insignificante pode se tornar se mal interpretado ou entendido através do senso comum, de dogmas ou do medo da danação eterna.

Outras duas histórias se revelaram extremamente atuais pelo seu tema: pessoas transgênero. Na primeira delas vemos um ex-marido tentar anular a pensão da ex-esposa, agora um homem. E, na segunda, um pai desconhecido que se apresenta para a filha, 21 anos depois e do outro lado do mundo, como uma mulher.

As considero atuais por esse ser um assunto que é cada dia mais discutido no mundo, mesmo que ainda não o bastante, e por termos acompanhado há pouco tempo a tão noticiada transição de sexo de Caitlyn Jenner, anteriormente Bruce Jenner, ex-atleta e ex-padrasto das irmãs Kardashian.

Considero Caitlyn um exemplo de superação, mas confesso que após a leitura desse livro, de forma até um pouco fria, fiquei me perguntando quais foram os tramites legais para essa transição, além dos impactos reais que isso causou a família (o que é mostrado em Keeping Up With The Kardashians não conta) como nas histórias de Baseado em Fatos Reais.

O livro é bem gostoso de se ler, tanto pela escrita do autor quanto pela sua edição. Publicado pela Editora Agir, Baseado em Fatos Reais tem 267 páginas e a diagramação não é daquelas que dá vontade de abandonar a leitura logo na primeira página. Pelo contrário. Sou bastante chata com essas coisas e esse livro foi muito bem cuidado e acabado.

Envergonhadamente, confesso que não conhecia Fernando Moreira e nem o seu blog Page Not Found. Mas depois de ser tão bem apresentada a sua escrita, já salvei a página inicial do blog nos meus favoritos e pretendo acompanha-lo sempre, já que assim como ele, sou Jornalista e curiosa.

Recomendo fortemente a leitura desse livro e os convido para caminharem pelo lado inusitado da força.

Espero que tenham gostado dessa resenha! Até a próxima!

Beijos de Luz ^^

Bia

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[Resenha] Zac & Mia – A. J. Betts

Resenha 2

Olá, amores! Como vão?

2015 já está quase acabando e esse ano passou rápido demais, não acham? Já posso ouvir as músicas de fim de ano e confesso que estou ansiosa para montar a árvore de Natal (sou dessas que considera essa uma tradição importantíssima).

E ai, já começaram a fazer suas listas de livros desejados para ganhar de presente ou para serem lidos no próximo ano? Eu já estou montando as minhas metas literárias e tenho uma sugestão ótima para a de vocês.

Coloquem na suas wish-lists e/ou na metas de leitura para 2016 o livro Zac & Mia, da escritora autraliana A. J. Betts. Esse é um livro daqueles que peguei pra ler sem grandes expectativas, mas que me conquistou e me prendeu já no primeiro capítulo. E é sobre Zac & Mia a resenha de hoje.

Zac e Mia

Zac & Mia é um livro destinado ao público YA (mas que pode ser lido e apreciado por qualquer idade, isso eu garanto) que conta a história de dois jovens que se conhecem na ala de Oncologia de um hospital na cidade de Perth, a capital da Austrália Ocidental. Sim, este é um Sick Lit.

Zac Meier, o garoto do quarto 1, é um jovem de 18 anos que acabou de passar por um transplante de medula óssea e tenta pela segunda vez se curar de uma leucemia. Ele tem personalidade sarcástica mas não é um cara chato, muito pelo contrário. Tanto que leva com muito bom humor o fato de estar a algumas semanas preso dentro de um quarto de hospital com a mãe, Wendy.

Ele tem uma lista com as séries de TV indicadas para quem passa pela quimioterapia e quer evitar os enjoos. É fã de Harry Potter e tem uma queda enorme por Emma Watson, dizendo que cair num tanque cheio com exemplares da atriz que dá vida a Hermione seria uma boa forma de morrer. Ah, e vocês podem chamá-lo de Helga (leiam para entender o porque!).

Já Mia Phillips, a garota do quarto 2, é exatamente o oposto. Rabugenta, mal humurada, mal educada e sempre fazendo de tudo para afastar as pessoas agora que recebeu o diagnóstico de Osteossarcoma localizado em seu tornozelo. Mia não aceita a doença e muito o menos o fato de que esse parece ser o fim da vida perfeita que levava sendo a garota mais popular da escola.

Mia não tem um bom relacionamento com a mãe, que a cria sozinha, e foge dela sempre que pode. Demorei para entender Mia, mas ela é aquele tipo de personagem que precisa ser desvendado. E a garota do quarto 2 não passa de uma menina assustada, que só precisa ser entendida e amparada. Ela precisa de um motivo para ficar.

E é isso que Zac faz. Se torna motivo.

Os dois se aproximam depois que Zac, não suportando mais a música alta no quarto ao lado (mais precisamente LoveGame, da Lady GaGa), dá batidinhas na parede até que o barulho cesse. Mia devolve as batidinhas e eles começam a se falar usando código Morse meio atrapalhado, até que a solicitação de amizade chega a Zac pelo Facebook.

O livro é dividido em três partes: a primeira contada por Zac, a segunda por ambos, revezando os capitúlos, e a terceira por Mia. Sempre em primeira pessoa, o que nos aproxima ainda mais dos dois e nos colocam dentro de seu mundo.

As dores e as dúvidas de ambos são muito reais e ao mesmo tempo intangíveis para pessoas que não passaram pelo mesmo. Atráves de Zac e Mia conhecemos outros personagens que nos tocam com igual intensidade, como a enfermeira Nina, o surfista Cam e Bec, a irmã grávida de Zac (que merecia um livro só pra ela, diga-se de passagem).

Não sei dizer o que fez com o que eu gostasse tanto desse livro. Só sei que não tinha nenhuma pretensão quando o abri pela primeira vez e que o fechei pesarosa quando o terminei, ansiando por muito mais. O humor e delicadeza de Zac junto com a determinação e o eu-preciso-de-alguém-que-me-leve-pra-casa de Mia, foram a combinação perfeita para um livro perfeito.

Fiquei encantada também por ter tido a chance de conhecer um pouquinho da Austrália com esse romance. Ficamos tão acostumados com a literatura que vem dos Estados Unidos que essa mudança de cenário e de perspectiva é muito bem vinda. Cabe citar que eu agora preciso conhecer a Austrália e que quero um canguru?

Não pensem que por ter a mesma temática que esse livro é uma “cópia” de A Culpa é das Estrelas (apesar de que tem potencial para se tornar um fenômeno editorial tão grandioso quando o livro de John Green). Em Zac & Mia, temos uma construção muito diferente de personagens e uma trama até, atrevo dizer, um pouco mais madura que a de Hazel e Gus.

Esse é o primeiro livro da autora A. J. Betts publicado no Brasil e ela tem escrita muito leve, que dá prazer em ler. É um livro muito gostoso, que me deixa com vontade de continuar lendo. A citação da escritora Fiona Woods (Seis Coisas Impossíveis) impressa na capa da Edição Brasileira não podia ser mais verdadeira quando ela avisa que esse é o livro que não se quer mais largar.

Por falar nela, a edição brasileira, publicada pela Editora Novo Conceito, está muito boa, por dentro e por fora. Boa diagramação e arte nas páginas, sem erros de tradução aparentes (sou chata com essas coisas). A capa é muito bonita, apesar de eu ainda não ter entendido a ligação dela com a história de fato.

Para quem curte romances com boas doses de drama e humor, Zac & Mia é a indicação perfeita. Ainda mais se estiver afim desses amores doentios (perdoem-me pelo trocadilho). É o livro perfeito para quem está precisando de  uma leitura mais leve e despretensiosa. Recomendo fortemente esse livro e espero que se encantem por Zac, Mia, Cam, Bec, Wendy e Nina da mesma forma que eu.

Pequena maça, pequeno ovo.

Espero que tenham gostado dessa resenha! Até a próxima!

Beijos de Luz

Bia

[Resenha] Fragmentados – Neal Shusterman

Resenha 2

Olá, amigos leitores! Como vão?

Trago para vocês hoje a resenha de um livro completamente diferente do último que resenhei. Devo adiantar que é um livro que comecei a ler sem nenhuma expectativa e que fui muito bem surpreendida por ele. Estou falando do livro Fragmentados, do autor norte americano Neal Shusterman.

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A história de Fragmentados é uma distopia, bem diferente dessas que estamos acostumados a ler. O livro mostra os Estados Unidos pós Guerra de Heartland, em que o mundo passa a ver a vida de uma forma diferente, onde é possível que indivíduos considerados indesejados sejam descartados.

A fragmentação, uma espécie de aborto retroativo, consiste em um processo no qual esse indivíduo indesejado é eliminado e ao mesmo tempo mantido vivo. Todas, eu digo TODAS, as partes do corpo dessa pessoa, chamada fragmentária são usadas em transplantes. Todas mesmo.

A ordem de fragmentação de um indivíduo pode ser assinada pelo Estado, no caso de uma criança tutelada, ou pelos próprios pais, quando a pessoa atinge a chamada idade da razão, entre os 13 e 18 anos. Pode nos parecer estranho,  mas essa é uma prática muito comum e aceita por essa sociedade distópica.

O livro, narrado em terceira pessoa, mostra, principalmente, a saga de três fragmentários que fogem da imposição feita por esse sistema: Connor, que teve a ordem de fragmentação assinada pelos pais e que foge de casa antes que ela seja cumprida, ficando conhecido como o “Desertor de Akron” e Risa, uma pianista tutelada do Estado que deve ser fragmentada para “abrir espaço” na Casa Estatal onde vive.

Connor e Risa não querem ser fragmentados e fogem para evitar que isso aconteça. Diferentemente de Lev, o terceiro elemento, que é um dízimo, escolhido pelos pais desde que nascera para ser fragmentado, cumprindo o dever sagrado de dividir com a sua comunidade um décimo daquilo que possui. E Lev aceita e carrega o título de dízimo com orgulho, tanto que reluta a fugir quando seu destino cruza com o de Connor e Risa.

Uma das melhores coisas sobre Fragmentados é acompanhar o crescimento e o amadurecimento dos personagens ao longo da trama. Enquanto perseguidos pelos Juvis, confinados em esconderijos, alcançando grupos de sobreviventes e se aventurando pelas ferrovias dos Estados Unidos para ajudar um amigo, vemos a mudança que ocorre em cada um deles e o porque dela ocorrer.

A construção de cenas do livro também é bastante eficiente, tornando possível enxergar e se sentir dentro desse mundo fragmentário. Somos levados a encarar a fragilidade da vida e refletir sobre questões como aborto, transplantes de órgãos (esses que salvam vidas sem fragmentar pessoas vivas) e até a maioridade legal (a ordem de fragmentação pode ser anulada se o fragmentário atinge os 18 anos antes que ela seja cumprida).

Quanto a edição, só tenho a comentar que foi muito bem feita e bem cuidada. O livro é dividido em sete partes e cada uma delas traz algo que explica um pouco a Lei da Vida adotada pela sociedade da história. A capa é um pouco mais adulta, mas também muito bem feita. Mais um ponto bem feito pela Editora Novo Conceito.

A única ressalva que teria a fazer é que em alguns momentos a disposição de palavras nas frases deixaram alguns parágrafos confusos. Acredito que tenham sido problemas de tradução de expressões, já que a linguagem coloquial é bastante usada (principalmente pro personagem CyFy). Mas nada disso interfere na qualidade da edição e da escrita do livro.

Eu não conhecia nada do autor, Neal Shusterman, e Fragmentados foi um excelente começo. Shusterman é, além de um escritor premiado com mais de 30 títulos publicados para o público jovem e adulto, roteirista de televisão e cinema.

Para quem gosta de distopia e gostaria de ler algo mais maduro dentro desse gênero, não existe indicação melhor do que Fragmentados. Ele possui todos os atributos que um romance distópico deve possuir, além de ser belissimamente escrito. Recomendo fortemente e espero que gostem!

Até a próxima resenha! Beijos de Luz!

Bia

[Resenha] Histórias Curtas – Rubem Fonseca

Resenha 2

Alô, alô, meus lindos! Como vão?

Então, eu estou bem. Muito ansiosa por motivos de: BIENAL DO LIVRO IS COMING! Estou contando os dias e tenho certeza que vai ser uma experiência incrível. Vai ser minha primeira vez no Rio e minha primeira vez em uma Bienal, logo as expectativas estão bem altas por aqui!

No mais, confesso que estaria melhor se não fosse a greve na minha Universidade. A situação está bem complicada no nosso país, não é mesmo? Só podemos torcer pelo melhor, infelizmente. Mas fui ensinada a ver o lado bom das coisas e greve me dá mais tempo pra ler e pra fazer resenhas pra vocês!

E a resenha que trago hoje é a de um livro incrível, que me prendeu com força nos últimos dias e que me fez repensar um monte de coisas, principalmente os conceitos de loucura. Estou falando do maravilhoso Histórias Curtas, do escritor mineiro Rubem Fonseca.

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Rubem Fonseca, nascido em 1925 na cidade de Juiz de Fora, é autor de 29 livros, dentre os quais podemos destacar romances, novelas, contos e crônicas. É vencedor de vários prêmios, dentre eles o Jabuti, Camões e o Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra.

Eu não havia tido muito contato com Rubem Fonseca antes de Histórias Curtas. Tudo o que havia lido eram algumas crônicas e, muito envergonhadamente, devo confessar que vivo o confundindo com o Rubem Braga e o Rubem Alves, ambos também escritores. Já li muitas coisas de Rubem, mas sinceramente não sei qual dos três e peço desculpa a eles (e a vocês) por isso.

Pois bem, voltando ao Histórias Curtas. Se eu pudesse definir esse livro em apenas uma palavra, eu usaria insanidade. Várias das crônicas terminam com seu protagonista sendo internado ou nos dizendo que está num manicômio. E todos as crônicas mostram algo de meio maluco, mesmo que isso não esteja assumido no texto e apenas percebido por quem está lendo. Pode ser uma paranoia, como no caso do homem estrábico da crônica Devaneio, ou do hábito estranho do “adúltero” de Atração.

Um dos meus textos preferidos nesse livro é o intitulado A Noviça, sobre uma história de amor que acontece por puro acaso, graças a uma promessa que é mantida. No final do conto, o narrado diz que pararia por ali, com medo de parecer piegas. E eu paro por aqui, antes que dê algum spoiler.

Temos também em Histórias Curtas a loucura dos assassinos em potencial e, até mesmo, de serial killers, que nos explicam a sua vocação – ou a descobrem – no decorrer da crônica, como em O Roedor de Ossos. Conhecemos alguns ladrões, inclusive um que diz ser púdico, qualidade de todo bandido, que em assuntos de sexo são todos muito tímidos.

Gostei muito da edição do livro, publicado pela Editora Nova Fronteira. A capa é linda, assim como o seu interior. O espaçamento, fonte e textura das páginas tornam a experiência da leitura ainda mais gostosa. Parabéns, Nova Fronteira!

Para quem gosta de histórias mais curtas, com jeito de crônica e narrativa leve, recomendo fortemente esse livro. Ele foge das características de outras crônicas que nos habituamos a ler e isso representa uma grata surpresa. Não é um retrato de algo que aconteceu na vida de alguém, e sim retratos da vida de vários personagens. Loucos, em sua grande maioria. Esse livro vai te fazer refletir e vai arrancar também muitas risadas!

Leiam Rubem Fonseca (e os outros Rubens também)! É uma ótima forma de prestigiar e de conhecer a Literatura Nacional.

Espero que tenham gostado dessa resenha! Até a próxima!

Bia

[Resenha] Como Ser Mulher – Caitlin Moran

Resenha 2

Olá, meus amores! Como vão?

Já estamos em Agosto! O segundo semestre de 2015 já começou e eu não posso acreditar em como o tempo tá passando rápido esse ano. Logo estaremos comemorando o Natal e dando as boas-vindas a 2016, um ano com eleições, Olimpíadas e o temível TCC. Só digo uma coisa: se não multarem a vida por excesso de velocidade, tem algo muito errado com essa fiscalização! (Risos).

Mas, indignações e multas a parte, tenho uma resenha de um livro incrível pra vocês hoje!

O livro que estou resenhando agora despertou muito a minha curiosidade e me perturbou muito até que eu começasse a lê-lo e, depois, até que eu o terminasse. Estou falando do livro Como Ser Mulher – Um Divertido Manifesto Feminista, da jornalista britânica Caitlin Moran e publicado no Brasil pela Editora Companhia das Letras.

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Antes de começar, preciso dizer algo. Eu, Beatriz, sou feminista. Me considero ainda uma feminista em formação, já que cada mulher tem o seu feminismo e eu ainda estou encontrando o meu.  Acredito que a igualdade entre gêneros é, além de possível, necessária, e quero fazer minha parte para alcançá-la.

Como Ser Mulher não é um livro, digamos, doutrinador do Feminismo. Ele trata essencialmente da experiência de Caitlin. Como foi e é para ela ser mulher. Mesmo que ela discuta várias das bandeiras principais do feminismo, não é um livro teórico. Longe disso. Caitlin critica o cárater academicista que o Feminismo ganhou e defende que ele deve ser discutido em todos os ambientes, cada vez com mais frequência.

Sei que muita gente tem medo desse tipo de leitura, por medo que ela seja do tipo doutrinadora ou até mesmo extremista. Não há nada a temer aqui, meus caros. Nesse sentido, Como Ser Mulher não representa perigo nenhum. Mas desde já aviso: ele vai te arrancar muitas risadas!

O livro narra toda a história de Caitlin até aqui, aos seus 35 anos de idade. Vinda de família grande, de classe média e com pais hippies, Caitlin teve uma infância e adolescencia conturbadas e desde cedo teve que aprender a se virar sozinha, aprendendo coisas normais de menina sozinha. Vai pra Londres, se torna jornalista, toma altos porres, se casa e é mãe de duas meninas.

Os trechos que narram os principais ritos de passagem femininos – primeira menstruação, surgimento dos seis e pelos, descobrimento da sexualidade – são muito interessantes e engraçados. É praticamente impossível, pra quem é mulher, não se identificar com o que Caitlin narra e não ter a sensação de “meu Deus, pensei que era só comigo!”.

Dois capítulos, em especial, merecem ser destacados pela importância do que é discutido. De uma maneira divertida e muito leve, Caitlin conseguiu abordar os temas do aborto e do por que ter filhos com muita delicadeza e verdade, quebrando tabus. E a voz que quebra – ou pelo menos, tenta quebrar – esses tabus vem de alguém que passou por ambas as experiências. As afirmações de Caitlin vem de experiência própria, e não de arautos academicistas ou do senso comum.

Apesar de ter adorado o livro e de estar ansiosa para ler o outro livro da autora (Do que uma Garota é Feita, Companhia das Letras), existem algumas falhas. O relato de Caitlin é o de uma mulher heterossexual, branca, cisgênero e de classe média. Sem querer e, acredito que sem maldade, Caitlin acaba por criar alguns estereótipos femininos, principalmente no que toca ao consumismo. Eu a perdoo por isso, pois sei que não criar estereótipos é algo muito difícil, mas não impossível.

Mesmo que esse não seja um assunto de seu interesse, recomendo fortemente esse livro. Além de boas reflexões, ele te dará também boas risadas, o que não faz mal a ninguém!

Espero que tenham gostado dessa resenha! Até a próxima!

Beijos de Luz

Bia

[Resenha] Trash – Andy Mulligan

Resenha 2

Olá, pessoas! Como diria Joey Tribbiani, “How u doin’?”

Primeiramente, gostaria de pedir desculpas pelo sumiço nos últimos tempos. Correria de fim de semestre na faculdade e no trabalho, depois viagem, depois um cadinho de preguiça. Mas eu volteeeeeeei, volteei para ficar, porque aqui, aqui é meu lugar… (Roberto Carlos feelings. Mamys aprova).

Hoje eu trago para vocês a resenha de um livro que eu gostei de mais e que quando acabou já coloquei na lista das próximas releituras. Estou falando de Trash, do autor britânico Andy Mulligan.

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Cheguei a Trash por indicação de um amigo (que merece agradecimentos calorosos por todas as dicas literárias que tem me dado. Valeu, Carlos!). Ele me falou sobre um livro fantástico que tinha lido e lá fui eu, segui o seu conselho: comprei o livro e logo iniciei a leitura.

A trama narrada por Trash rodeia um problema universal, que vitimiza milhares de pessoas: a corrupção. Vemos como essa, digamos, faceta do ser humano prejudica aos mais pobres e vicia os mais poderosos, sempre sedentos por mais.

Grande parte da história se passa em Behala, chamada de “a cidade do Lixão”. Sim, a história se passa num lixão, onde centenas de famílias moram e tiram seu sustento e onde toneladas e toneladas de lixo são depositadas todos os dias. O livro não diz em qual país a trama se passa, nem mesmo diz o nome da cidade. Sabemos que é um país pobre, litorâneo, com ilhas ao sul de seu território e que fala espanhol.

Acompanhamos Raphael, Gardo e Jun-Jun (carinhosamente chamado de Rato) na maior aventura de suas vidas, aquela que as mudaria para sempre. Esses meninos do lixão, com nada além de suas vidas miseráveis e de muita esperteza, conseguem mudar o rumo da história, fazendo justiça pela morte de um homem inocente.

Tudo começa quando Raphael, procurando por algum material reciclável no lixão, encontra uma carteira. Nela existe uma boa quantia em dinheiro, algumas fotos de uma menina pequena, um documento em nome de José Angélico, um mapa da cidade e uma chave com etiqueta amarela e o número 101.

Não passaria de um achado incomum no monte de lixo, se um verdadeiro mar de policiais não tomasse o lixão de Behala no dia seguinte, procurando pela carteira. Os garotos não se entregam e, percebendo a corrupção da policia, preferem ir atrás da verdade. E a encontram.

Devo parar por aqui, antes que entre no temível mundo dos spoilers.

Trash é contado em primeira pessoa por várias das pessoas, todas elas participantes da saga dos meninos do lixão. Além dos três garotos, temos a visão do Padre Juilliard, da irmã Olívia e de outros personagens menores. Contamos também com cartas e recortes de jornais, dando um ar de veracidade ainda maior.

É nessa parte que devo comentar a genialidade da pessoa que projetou o livro. Não sei dizer se é uma característica que a editora Cosac Naify (meus parabéns por mais uma edição impecável!) imprimiu a edição brasileira, ou se todas as edições mundo a fora foram pensadas dessa forma.

Cada um dos capítulos é contado por um dos personagens. E cada personagem tem uma tipografia diferente. Não falo só de fonte, mas também de espaçamento entre linhas, parágrafos… tudo. Isso nos dá uma sensação incrível de, além de ouvir a voz de cada um, identificar cada personagem, como se o conhecêssemos. Estou apaixonada por essa edição, apenas!

O livro nos propõe várias reflexões importantes. Como o impacto da corrupção nas classes mais baixas, a própria corrupção, a necessidade da educação, a condição de vida das pessoas que não enxergamos e o porque não as enxergamos, além de quão pequenas são as nossas queixas se comparadas a um quadro maior.

Raphael, Gardo e Rato me ensinaram que aceitar a sua situação não significa se conformar com ela, e muito menos se privar de sonhar com uma vida melhor. Sonhar, trabalhar e lutar para conseguir são passos importantíssimos e fundamentais. É como se o nosso dever fosse querer e lutar por aquilo.

Lerei Trash novamente em breve e sei que continuarei aprendendo com ele, a cada vez que ler e “ouvir” a voz de Rato, Raphael e Gardo. E da pequena Pia!

Espero que tenham gostado dessa resenha e que se sintam motivados a ler esse livro incrível.

Até a próxima!

Beijos de Luz

Bia

[Resenha] A Música do Silêncio – Patrick Rothfuss

Resenha

Olá, meus amores mais amores de todos os amores do mundo! Como vão?

E ai, todos já surtando nesse final de semestre? Eu estou. Completamente surtada. Aparentemente existem mais coisas para serem feitas do que tempo para executá-las e a conta não fecha desse jeito, universo!

Mas, não estou aqui para falar de surtos e sim de coisas boas. De uma coisa linda. De uma das coisas (livros) que eu mais amo na vida. De que livro você está falando, Bia? Eu estou falando de A Música do Silêncio, do incrível Patrick Rothfuss.

A musica do silencio

A Música do Silêncio, em inglês The Slow Regard of Silent Things, é um spin-off da Trilogia Crônica do Matador de Rei, que conta com dois livros publicados até agora: O Nome do Vento e O Temor do Sábio. A trilogia narra a história de Kvothe, que é um homem envolto por tantos mistérios e aventuras que se tornaram verdadeiras lendas.

É difícil falar de Kvothe. Eu precisaria de umas quinze resenhas para tentar fazer isso e ainda sim não conseguiria falar com certeza. O próprio Kvothe, contando sua história, nos deixa com aquela sensação de “meu Deus, isso não pode ser verdade”. Ele quer ser lenda e se constrói como uma.

Espero que The Doors of Stone, livro que vai concluir a trilogia, nos explique melhor quem é Kvothe, o Sem Sangue. Infelizmente, não temos previsão de lançamento desse livro nos Estados Unidos, quem dirá no Brasil. E aqui vai meu apelo: Pat, lança logo esse livro pelo amor de Deus!

Porém, A Música do Silêncio não fala de Kvothe. O spin-off vai nos contar seis dias da vida de Auri, uma personagem da trilogia ainda mais misteriosa do que o protagonista. Auri é minha personagem preferida da trilogia e não existe explicação para isso além de: ela é maravilhosa e eu me identifico para caramba com ela.

Auri é muito querida pelo autor da série também. Patrick já declarou isso em diversas entrevistas, no prefácio e na nota final do livro, quando ficamos sabendo que aquela história nasceu para ser um conto que faria parte de uma coletânea, mas que foi crescendo a medida que escrevia.

Patrick pensou em não publicar esse livro, por que duvidava que ele fosse entendido. As páginas transbordam a sensibilidade de Auri, e ele avisa no prefácio que aquilo não é pra qualquer um e que ele não esclareceria nada sobre a personagem, mas que era um livro para quem quisesse conhecê-la e conhecer um “pouco mais sobre os meandros de seu mundo”.

Auri é uma garota sem passado. Nada sobre a história dela é contado nos primeiros dois livros da série e (SPOILER ALERT) muito menos no spin-off dela. O que sabemos é que ela mora nos Subterraneos da Universidade, é jovem, pálida e tem cabelos claros como a luz da lua.

Sempre que imaginamos que algo sobre ela vai ser esclarecido, Auri foge. Ela é arisca e bastante desconfiada. Até esse nome, Auri, é dado por Kvothe, que levou muito tempo até ganhar a confiança dela. O que os fãs da série imaginam é que Auri seja uma ex-aluna da Universidade que enlouqueceu.

Esses seis dias da vida de Auri contados em A Música do Silêncio são repletos de expectativa e preparativos, já que ela sente, fundo no seu coração, que será visitada no sexto dia por Kvothe e sua música. Entendam bem, ela não arruma a casa para espera-lo. Ela prepara a si mesma para a chegada dele.

E essa espera nos deixa com aquela ideia e com uma forte sensação de que Auri nutre sentimentos muito especiais por Kvothe, se é que vocês me entendem. É como se a vida dela girasse em torno da vontade de vê-lo e de ouvir sua música. Como se nada além disso importasse.

Isso fica bem claro numa das últimas páginas do livro, quando diz:

E então… Auri sorriu. Não por ela. Não. Nunca por ela. Ela devia permanecer pequena e guardada, bem escondida do mundo.

Mas por ele era outra coisa, toda diferente. Por ele Auri traria à baila todo o seu desejo. Invocaria toda a sua argúcia e sua arte. E depois criaria um nome para ele.

Rodopiou três vezes. Farejou o ar. Sorriu. À sua volta, por toda parte, tudo estava perfeitamente correto. Ela sabia exatamente onde estava. Estava exatamente onde devia estar.

Sobre a edição: a Editora Arqueiro está de parabéns porque a capa brasileira é de longe a mais bonita do mundo. E o livro é todo bonito, por dentro e por fora. Falei que ele é ilustrado? Não? Ele é lindamente ilustrado!

Enfim, esse é um dos meus livros preferidos porque eu entendo a Auri. E entendo o que Patrick diz quando nos avisa que esse não é um livro para qualquer um. Diferente dos outros livros da série, ele não traz aventuras, e sim, uma viagem a mente de Auri, com toda a sua sensibilidade e magia própria.

Recomendo fortemente a leitura de A Música do Silêncio, mas claro, depois de O Nome do Vento e o Temor do Sábio. Esses livros são fantásticos desde a primeira até a última página. Eles têm tudo: aventura, romance, magia, mistério, vingança e são incrivelmente bem escritos. Leiam. Apenas isso: leiam. Venham conhecer o Mundo dos Quatro Cantos e espero que encontrem a Auri por lá.

Espero que tenham gostado dessa resenha.

Beijos de luz! ^^

Bia